Um entre milhões

20:00 in Colunas by Rômulo Augusto

E mais uma vez, as esperanças do torcedor bicolor se renovam. Como já ocorreu nos últimos quatro anos, o início da Série C traz consigo comissão técnica e elenco reformulados, e a reboque, a expectativa de que, dessa vez, o Papão conseguirá o tão sonhado acesso. E nem haveria de ser diferente, afinal, o futebol é assim, movido a paixão.

 É bem verdade que alguns se perdem pelo meio do caminho, cansados das angústias da Terceira Divisão, se afastando aos poucos do Clube. Vivem apenas das lembranças do passado recente de glórias, como as jornadas na Primeira Divisão, e a empolgante campanha na Libertadores da América. Entretanto, não serei eu, apenas mais um dentro milhões de bicolores, que irei crucificá-los. Futebol não é feito apenas dentro das quatro linhas, precisa de profissionalismo e organização fora delas também, e como é de amplo conhecimento, nossos bastidores ainda andam de carroça. Os recorrentes erros administrativos, convenhamos, são realmente desestimulantes.

Eu, particularmente, me filio aos fanáticos. Não aqueles que perdem as estribeiras, muitas vezes deixando a paixão clubística falar tão alto que chega a beirar a insanidade. Apenas percebi que não consigo ser indiferente ao Paysandu. As vitórias me animam na mesma medida em que as derrotas provocam indesejado mal humor. Ouvir alguém criticar ou fazer piadinhas infames sobre o Papão injetam adrenalina nas minhas veias, e me colocam de prontidão para enveredar para uma discussão (sadia e no melhor sentido da expressão, diga-se), ainda que elas sejam verdadeiras (mas quase nunca são).

O desastre experimentado ano passado, contra o Salgueiro, foi um direto na ponta do queixo. Mas em 2011, nossa Diretoria parece ter acordado, é o que pensa a maioria dos torcedores. Iniciar a campanha na Terceira Divisão com uma vitória, e ainda fora de casa – quem diria – injeta novo ânimo. O simples fato de completar 90 minutos sem tomar um gol, se torna motivo de festejos. O resultado de 1 a 0 sobre modesto Araguaína-TO já faz com que a torcida projete o time com uma defesa segura e bem postada. Muitos podem discordar, mas penso que essa é uma conclusão precipitada. É cedo para crucificar ou mesmo para exaltar algum setor ou jogador do time.

Por outro lado, observando a comissão técnica e os jogadores atuais, acredito que exista sim qualidade superior a de anos anteriores. Dentro das quatro linhas – e neste momento me remeto ao início do texto – vejo amplas possibilidades de conseguirmos o acesso, mas desde que haja profissionalismo e organização. Nesse quesito, sabemos que a Diretoria deixa (e muito) a desejar. Resta confiar que dessa vez, o final será diferente. E na próxima segunda-feira, na estréia dentro de casa, contra o Rio Branco-AC, lá estarei eu nas arquibancadas, torcendo e vibrando, com a certeza quase absoluta de que, dessa vez sim, tudo será diferente.

Belém, 21 de julho de 2011.

Rômulo Augusto, advogado e torcedor.